Por: Eloi Zanetti*
Sempre defendi a ideia de que a comunicação empresarial interna, além de funcionar como importante ferramenta de gestão, pode também colaborar, e muito, nas atividades do marketing de relacionamento. Não encantaremos os clientes lá de fora se não combinarmos antes com o pessoal de dentro de casa sobre os deveres a cumprir.
Comunicação é trabalho de catequese - é preciso doutrinar, em todas as oportunidades, os colaboradores num propósito comum: o de atender bem aos nossos clientes. Dentro do universo empresarial, a comunicação precisa ser vista como um amálgama - ela tem o poder de juntar os interesses de todos numa única direção.
Porém, por ser uma atividade quase artesanal, que dá muito trabalho e pouco prestígio, os marqueteiros fogem dela, relegando-a a um segundo plano. Solta, a comunicação interna vai encontrar seus defensores entre o pessoal do RH, que, com boa vontade, pouca verba e carente de expertise, tenta fazer o trabalho, embora lhe falte a força do apoio técnico e político para a completa execução do trabalho. Com isso, perde-se a chance de engajar os colaboradores na causa principal de qualquer empresa, a de atender bem.
Se os marqueteiros olhassem para dentro das suas empresas com o mesmo cuidado com que olham para o mercado extramuros, veriam que as estratégias arduamente trabalhadas pelas diretorias vão se perdendo pelo caminho por falta de comunicação interna de boa qualidade. Somente 5% das estratégias emanadas pelos comandantes chegam ao destino final, àqueles que realizam os processos e fazem a empresa andar. Uma estratégia só será estratégia se for bem comunicada e entendida por todos. Sem comunicação, ela é apenas uma promessa de algo ainda não realizado, um sonho.
Outra utilidade da comunicação interna é fazer com que todos toquem seus trabalhos em perfeita sintonia e ritmo. Tal qual a batuta de um maestro, que orienta seus músicos nas noções de tempo e empenho, a comunicação ajuda a criar mais harmonia no ambiente empresarial. Quer ver sua empresa funcionando como uma orquestra? Capriche na comunicação interna.
Também temos de deixar de pensar que uma empresa é a figura do seu presidente, sempre exposto à mídia e aos holofotes. A empresa somos todos nós. A ela pertencemos e vice-versa. Fazer esses conceitos serem percebidos com clareza, só com um trabalho de comunicação estruturado, por meio de estratégias bem definidas e realizações primorosas, dia após dia, ano após ano. Como as plantas, a comunicação precisa de tempo para vingar, crescer e produzir resultados. Muitos abandonam o trabalho da comunicação porque não entendem que ela só será bem percebida depois de sedimentar-se. Como na construção de uma parede de tijolos, fiada após fiada. Por isso, trabalhos pontuais e isolados não funcionam direito. Tempo e persistência, sempre.
E se até Zeus dispunha de um mensageiro, Hermes, para dar os recados das suas estratégias aos outros deuses e aos humanos, por que nós, simples mortais, não devemos dispor da comunicação para ajudar nos nossos trabalhos administrativos e de marketing?
*Eloi Zanetti é consultor na área de marketing e comunicação e assina uma coluna mensal na Revista AMANHÃ
Fonte: Revista Amanhã