Novas versus “velhas” tecnologias em comunicação empresarial
02/02/2010

Que impactos as novas tecnologias de comunicação estão provocando - se é que estão mesmo - em relação à comunicação corporativa? Quais meios de informação os gestores de RH estão preferindo utilizar no processo de comunicação com o público interno da empresa? Antes de tomar uma decisão em favor das mídias tradicionais - jornais, revistas e manuais impressos - ou digitais - jornais e informativos via intranet, displays eletrônicos e blogs corporativos - é preciso que os profissionais da área de gestão de pessoas analisem com cuidado uma série de aspectos.

1) Velocidade A rapidez com que a informação chega ao público-alvo é atualmente um fator extremamente relevante. Com o desenvolvimento das novas tecnologias de comunicação, as pessoas estão acostumadas a ter acesso em "tempo real" às notícias e aos dados de que necessitam. E mais: com texto, imagens e som. E o que acontece com grande parte dos jornais e revistas de empresas? Os empregados recebem no mês de abril a publicação com matéria sobre "a alegria da festa de confraternização realizada em dezembro".

Quem não conhece bem o universo da comunicação na área empresarial pode até duvidar, mas de fato é isso que ocorre em vários casos. E por quê? Por causa de algo que em nossa assessoria apelidamos de jornal "moto-contínuo": aquele que nunca termina. A publicação já está pronta e poderia ir para a gráfica. Entretanto, alguém da empresa quer incluir mais um texto, em que só poderá enviá-lo na semana que vem e não aceita que ele fique para a próxima edição. E dessa forma o tempo passa. O pior é que a pessoa age assim porque quer que o seu texto saia "o mais rapidamente possível".

Frequentemente ocorre de uma edição sobrepor-se à outra. Por exemplo: se o jornal é bimestral, ele acaba saindo quatro meses depois. Ou seja, a primeira edição já poderia ter sido distribuída, com os textos atualizados e a próxima traria as matérias novas no mesmo espaço de tempo.

Existe também um "aspecto psicológico" curioso que contribui para que os atrasos aconteçam: as pessoas ainda atribuem um peso maior à informação registrada em papel. Por isso, tendem a "segurar" muito mais a finalização e aprovação de um material impresso do que de um texto que será veiculado na intranet, que por si só já tem as características de rapidez e de conter informações mais "voláteis".

Há outro fator a favor das publicações divulgadas por meios eletrônicos ou digitais: a maior mobilidade na diagramação. Fazer modificações - como trocar um texto ou incluir novas fotos - nesse tipo de material é relativamente mais fácil e rápido do que em um jornal impresso. Sendo assim, no que se refere ao fator da velocidade, as novas mídias de comunicação utilizadas na área empresarial - jornal via intranet, displays eletrônicos e blogs corporativos - ganham ponto.

2) Atratividade Os veículos internos de comunicação não "competem" apenas entre si pela atenção dos empregados. Eles também disputam espaço com toda enorme gama de estímulos visuais e auditivos a que estamos expostos diariamente: ler o jornal ou a revista da empresa ou ouvir rádio, assistir televisão, acessar a internet, entre outros meios. Portanto, o primeiro ponto a considerar é que, seja qual for o tipo de veículo interno que a organização escolha utilizar, ele precisa ser tratado com profissionalismo e conhecimento técnico, para que possa ser atrativo e cativante para o público-alvo.

As pessoas estão habituadas a ter contato contínuo com os grandes meios de comunicação em geral. Por isso, tornaram-se mais exigentes quanto à qualidade do conteúdo e do visual. Não há mais espaço para aquele "jornalzinho caseiro", feito em "Word". Como esperar que ele desperte o interesse e a credibilidade dos colaboradores?

Outro fator importante a salientar é que o público-alvo não é homogêneo dentro das empresas. Existem pessoas que fixam mais as informações através da leitura e que preferem textos mais aprofundados. Para essas, as publicações impressas serão mais eficazes. Já outras optam pelo dinamismo, sendo mais estimuladas pelo uso de recursos multimídia (textos, imagens em movimento e som). Em casos assim, as mídias eletrônicas e digitais produzirão maior efeito. Portanto, de um modo geral pode-se dizer que, com relação à atratividade, os meios de comunicação tradicionais e modernos são complementares no ambiente empresarial.

3) Custo Em função do preço a ser pago pelos serviços gráficos, o custo de um jornal impresso, por exemplo, certamente é maior do que o de um jornal multimídia, divulgado via intranet ou display eletrônico. Entretanto, se uma parte dos empregados não tiver acesso direto à intranet, a empresa precisará fazer um investimento inicial para a instalação de quiosques com computadores, permitindo assim que o jornal digital seja visto por todos. A mesma observação é válida se o meio escolhido for o display eletrônico. Mas fica aqui um alerta: é necessário fazer um estudo criterioso de como e onde implantar os quiosques e displays, para que tragam os resultados desejados em termos de melhoria da comunicação interna.

4) Portabilidade E quanto à facilidade de acesso e transporte ou "portabilidade", para usar um termo mais adaptado aos dias atuais? Apesar de essa expressão ser geralmente aplicada para veículos de comunicação eletrônicos e digitais, no caso do ambiente empresarial, são os materiais impressos que, contraditoriamente, ganham mais pontos nessa área, pois podem ser facilmente levados para todo lugar e lidos a qualquer momento: no ônibus, no refeitório da organização, durante o intervalo de trabalho e em casa, com a vantagem adicional de serem vistos também pelos familiares dos empregados. Dessa forma, convertem-se num instrumento a mais de motivação e integração, criando uma ponte entre o ambiente organizacional e familiar. O mesmo não acontece com a intranet e o display eletrônico, que não podem ser visualizados fora da empresa e só estão acessíveis para o pessoal interno.

5) Complementaridade O que se pode concluir é que, em termos de comunicação empresarial, estamos vivenciando uma fase de transição e complementaridade. Portanto, o ideal é mesclar o uso das diversas mídias, de acordo com os objetivos a serem atingidos, as características diferenciadas do público interno e os recursos disponíveis para investir nessa área. Nesse sentido, é fundamental que se tenha um plano de comunicação corporativa muito bem estruturado e aplicado, com alto grau de profissionalismo.

Jurema Luzia Cannataro Jornalista e bacharel em Comunicação Social pela Escola de Comunicações e Artes da USP – Universidade de São Paulo, sócia-gerente e diretora de redação da Scribba Comunicações, especialista na realização de pesquisa de clima organizacional, analista e consultora de comunicação empresarial e advogada formada pela Faculdade de Direito da USP.

Fonte: Site RH.com.br

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